Identidade Mirandesa

Capa de Honras e da identidade mirandesa.


"A Capa de Honras honra quem a veste e quem é recebido com ela. Honra a criança no batizado, honra os noivos no casamento, honra os defuntos e honra também as cerimónias religiosas e as festividades ao longo de todo o ano.” A descrição é de António Rodrigues Mourinho, investigador em Miranda do Douro.


Uma das personalidades que também partilha esta honra é o Papa que recebeu uma Capa de Honras, assim como o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.


Sandra Nobre foi uma das costureiras que fez a capa. Ela diz que é uma arte que exige precisão no corte – “dá muito trabalho como qualquer outra atividade e não é qualquer pessoa que faz. O desenho é sem decalque. É tudo feito a olho. A minha mãe costuma dizer que desenhamos como se fosse um pintor”.


Por isso, esta capa é uma peça de vestuário extraordinária e única porque só existe na terra que foi de Leão e se conserva nos sitos principais que é parte da Sanábria, Aliste e na Terra de Miranda.”


Apesar da sua origem ser muito antiga, só no início do século XIX aparece referenciada com a designação de Capa de Honras, “é num acórdão da Câmara Municipal, de 18 de Dezembro de 1819 (faz agora 200 anos). É estipulado que por uma Capa de Honras bem feita à jeira custava 500 réis. Por uma Capa de Honras lisa só custava 170 réis porque esta era para gente pobre ou que a usava no campo.”


No passado, a capa lisa, sem efeitos decorativos, foi muito usada pelos pastores e também no Inverno para proteção do frio.

A lã era tecida em teares manuais e não era necessário tingir porque a maior parte do gado era de ovelhas pretas. O vestuário desta região, porque era à base de lã, era predominantemente preto e castanho escuro.”


Terras de Miranda abril 2022

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