Burros há muitos, mas estes estão em extinção!

O Burro de Miranda, foi por tempos um animal muito conhecido e usado, mas infelizmente com o passar dos anos foi perdendo a sua importância e começado a ser esquecido, pondo em risco um património genético muito importante para a biodiversidade portuguesa.


Quando se fala em Burro de Miranda é incontornável o nome Miguel Nóvoa, um especialista apaixonado por estes animais e com um momento de conversa com ele entendemos como esta espécie está a ser protegida, valorizando Trás-os-Montes e todas as riquezas que este oferece a Portugal e ao mundo inteiro. Foto de destaque cedida pela Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA).


Criada 2001, o trabalho da AEPGA tem sido sobretudo orientado para a preservação do Burro de Miranda, a sua promoção e dignificação, não só enquanto património genético, mas também como importante património cultural.


Nesse sentido, além da proximidade que mantém com os criadores, de forma a garantir o bem-estar de burros e mulas, tem vindo a organizar atividades que divulguem a riqueza cultural do solar deste animal – o Planalto Mirandês.


Grande parte destas atividades pedagógicas tem um carácter essencialmente lúdico – sejam festivais ou simples caminhadas -, esta abordagem abrangente – que parte do princípio fundamental de que o burro deve ser visto como um todo, composto por dimensões biológicas, ecológicas e culturais – resulta assim num projeto multidisciplinar com impacto em diversas áreas de ação.


“TerRa – Conhecer o Território através das raças autóctones”


Apresentação oficial do projeto no dia 19 de outubro, no Auditório Alcino Miguel do Instituto Politécnico de Bragança (IPB).


Chegou no dia 12 de outubro ao público o projeto desenvolvido pela AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino com o objetivo de dar a conhecer e divulgar o Nordeste Transmontano através do incremento de conhecimento sobre as raças autóctones do território.


“TerRa – Conhecer o Território através das raças autóctones” é mais do que um projeto informativo. É um projeto de educação ambiental que nos fará despertar para a necessidade de proteger e valorizar o Interior de Portugal, os seus valores e tradições milenares.


“As raças autóctones são essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas locais e revelam a riqueza cultural, genética e ecológica do país. São parte fundamental da subsistência das comunidades rurais e permitem-nos perceber as características da região de onde são originárias“, salienta Miguel Nóvoa da Direção da AEPGA.


“As comunidades rurais do Nordeste Transmontano souberam preservar esta herança viva, legado dos seus antepassados, após séculos de seleção e adaptação às particularidades ecológicas do território. Efetivamente, esta região do país ostenta uma notável riqueza no número de raças de cada espécie: 1 raça de asininos, 2 raças de caprinos, 1 raça de bovinos, 1 raça de canídeos, 5 raças de ovinos e 1 raça de suínos“, sublinha ainda o mesmo dirigente associativo.


Em www.ter-ra.pt dão-se a conhecer alguns criadores das onze raças autóctones do Nordeste Transmontano que se juntaram ao projeto nesta fase inicial. Enquanto descobrimos a diversidade de raças existente no território, percebemos a história de vida destes criadores, as suas motivações e o seu dia-a-dia.


Iniciado em 2020 e interrompido pela pandemia,”TerRa” contou com o apoio da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Fundo Ambiental, Ministério do Ambiente, ENEA2020 –Estratégia Nacional de Educação Ambiental, e dos municípios abrangidos.


Na sequência do lançamento do site, será feita uma apresentação oficial do projeto “TerRa” no dia 19 de outubro, no Auditório Alcino Miguel do Instituto Politécnico de Bragança (IPB). A sessão de apresentação contará com a participação de Orlando Rodrigues, Presidente do IPB; Paula Carvalho, Subdiretora da DGAV; Isabel Ferreira, Secretária de Estado da Valorização do Interior; Marina Castro, do IPB; Rute Abreu, do Instituto Politécnico da Guarda; Albano Beja Pereira, da Universidade do Porto e Miguel Nóvoa, Secretário Técnico da Raça Asinina de Miranda e representante da AEPGA.




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